terça-feira, 23 de novembro de 2010

Plantando batatas

Sou a famosa "raspa de tacho" ou temporona, tenho dois irmãos bem mais velhos. Por isso fui criada, praticamente, como filha única.

Eu era uma criança muito viva, isto é, uma "arteira" profissional! Como se não bastasse, minha curiosidade foi desperta aos três anos, era a insuportável fase do "por que?" (Se você tem filhos pequenos ou é irmã/o mais velha/o sabe bem do que estou falando).

Logo era difícil para a casa adulta conviver com uma garotinha que queria saber porque não dá pra reverter o cozimento do ovo já que a água pode virar vapor e gelo e voltar a ser água.

Tínhamos muitos livros em casa, aprendi a ler aos cinco anos e me divertia com as enciclopédias e atlas ilustrados. Mas tudo o que eu via me enchia ainda mais a cabeça de dúvidas e eu ficava o tempo todo atrás do meu irmão mais velho, um adolescente nerd.

Eu dei muita sorte, o Marcel já era budista e um praticante da arte da paciência numa casa de descendentes espanhóis com o pavio curtíssimo. E mesmo com toda a paciência de um monge, chegava uma hora em que o Mac me respondia a pergunta com uma outra pergunta que ele sabia onde estava a resposta, de forma que eu me via desafiada a desvendar o mistério que ele me apresentou.

Eu já tinha essa tenacidade e persistência que marca a minha personalidade e, invariavelmente eu voltava com a resposta à pergunta do Mac e reapresentava a minha pergunta. Nessa hora o Marcel se enfastiava e me mandava plantar batatas.

E, é isso que eu faço hoje, planto batatas, ou melhor, trabalho fazendo pesquisas diversas para o meu chefe :).

2 comentários:

  1. Disposto a ouvir beiteirologia, sem mandar plantar batatas. Beijos querida!
    PS: propaganda própria: blogdomarciorosa.blogspot.com

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